sábado, 31 de dezembro de 2011

" É SEIS A DOIS NO PÓ DE ARROZ ! "

Botafogo: de pé: Adalberto, Tomé, Servilho, Nílton Santos, Pampolini e Beto.
Agachados: Garrincha, Paulo Valentim, Didi, Édson e Quarentinha.

Há 54 anos, portanto em 22 de dezembro de 1957, Botafogo e Fluminense decidiam o campeonato carioca daquele ano. Depois de 9 anos o Botafogo voltaria a vencer o campeonato carioca.
A seguir, reproduziremos texto retirado da Revista Placar de abril de 1979 – As maiores torcidas do Brasil.

“ A semana que antecede a partida Botafogo x Fluminense, decisiva do campeonato carioca de 1957, transcorre num clima de provocações. Certo da conquista do título, o diretor de futebol do Fluminense, Aílton Machado, decide menosprezar os dirigentes do Flamengo, Vasco e América – clubes que já não têm mais possibilidades de conquistar o campeonato – e sugere que todos, em seus últimos jogos, promovam o sorteio de máquinas de lavar roupa, geladeiras, televisões para motivar os torcedores. Machado, mantendo sua linha de inabilidade, estende seu menosprezo ao Botafogo e dá aos jornais, às vésperas da decisão, uma entrevista de otimismo bombástico. De suas declarações, uma irrita profundamente os homens que dirigem o Botafogo:
“Domingo vamos ao Maracanã apenas para cumprir um compromisso para com nosso quadro social. O campeonato de 1957 já é do Fluminense. O Botafogo que espere outra oportunidade”.
Concentrados no Hotel Ipanema, no Jardim de Alá, os jogadores do Botafogo prometem ao técnico João Saldanha ganhar a partida de qualquer maneira, “no grito, se for preciso”. Saldanha, porém, está tranqüilo.
Na manhã do jogo os jornais cariocas anunciam a decisão e os homens que dela tomam parte: Botafogo: Adalberto, Beto, Tomé, Servilho e Nilton Santos; Pampolini, Didi e Édson: Garrincha, Paulo Valentim e Quarentinha.
Fluminense: Castilho, Cacá, Pinheiro, Clóvis e Altair; Jair Santana, Robson e Jair Francisco; Telê, Valdo e Escurinho. O juiz é Alberto da Gama Malcher com Antônio Viug e Frederico Lopes nas bandeirinhas.
Às 16 horas, o Maracanã não está lotado – 89.000 torcedores pagam ingressos – e o Presidente da Federação Carioca de Futebol, Antônio do Passo, acha que o televisamento direto da partida prejudica a renda.
O jogo começa, nervoso, e aos três minutos Cacá faz falta em Paulo Valentim na lateral direita, pouco além da intermediária. Nilton Santos se aproxima para bater mas Didi lhe faz um sinal e o zagueiro se agasta. Didi, então, chuta de curva sobre a área procurando Quarentinha, na meia-lua, de costas para o gol. Quarentinha tenta a meia-bicicleta, erra e a bola espirra para Paulo Valentim , na marca do pênalti. Valentim hesita um instante e acaba chutando prensado contra a grama. Parado no meio do gol, Castilho vê a bola entrar a sua esquerda. O Botafogo já vence de 1 a 0.
O Fluminense apesar da excelente campanha que lhe dá a vantagem do empate na partida, parece inteiramente enredado na armadilha do Botafogo. Quarentinha marca Telê por pressão, Édson bloqueia, pampolini cobre e Didi, muito seguro, distribui as jogadas para Garrincha, aberto na direita, ou Paulo Valentim, que atrai Pinheiro para fora da área.
São 35 minutos e Garrincha está novamente diante de Altair. Desta vez, Altair lhe toma a bola e parte para o ataque. Garrincha, porém, não se dá por vencido. Persegue seu marcador, recupera a jogada e corre até a linha de fundo, de onde centra à meia altura para a área. A bola passa primeiro por Édson, depois por Castilho até encontrar Paulo Valentim que penetra PE maia esquerda e a toca, de leve com a coxa, para dentro do gol. Botafogo 2 a 0.
Abaixo, segundo gol do Botafogo - Paulo Valentim novamente.
O jogo parece decidido, o time do Fluminense está tonto mas o Botafogo continua lutando, com fibra e raça. Aos 42 minutos, Nilton Santos avança pela lateral esquerda, como ponteiro, e centra alto para área, na direção de Paulo Valentim. Este, de costas para o gol, acerta uma bicicleta estranha, meio alta, mas coloca a bola no ângulo direito de Castilho. O placar do Maracanã maracá BFR 3 x 0 FFC.
Paulo Valentim, de vbicicleta, aumenta para 3 a 0
Quando começa o segundo tempo, a tarefa do Fluminense parece impossível, mas Escurinho, em jogada individual, deslocado pelo meio, aproveita um rebote de Adalberto e, de cabeça, diminui para 3 a 1 aos seis minutos.
O Botafogo não acusa o golpe e aos nove minutos, Paulo Valentim está novamente diante de Pinheiro, dentro da área. Um drible para a esquerda, outro para a direita e o zagueiro centrral do Fluminense, sentado, vê o jogador do Botafogo chutar com violência para marcar 4 a 1. Para o técnico Pirilo o resultado parece um pesadelo. Para Aílton Machado, um castigo. Mas os dois não têm muito tempo para pensar. Agora, aos 12 minutos, é Garrincha quem foge, sem marcação, livra-se de Clóvis, engana Pinheiro e, de dentro da área, chuta cruzado do lado direito de Castilho. O placar é quase inacreditável: Botafogo 5 a 1. A partida já está ganha e o túnel do Botafogo se agita.
Saldanha é abraçado, agarrado, quase sufocado. No campo , apesar da alegria do túnel e da torcida, os jogadores continuam lutando. Ainda são 23 minutos do segundo tempo e Garrincha corre outra vez pela ponta, passa por Altair, engana Clóvis e toca para Paulo Valentim, só, diante de Castilho. Valentim está tão livre ( os fotógrafos, atrás do gol, revelam mais tarde o detalhe incrível – Valentim chega a perguntar a Castilho em que canto ele prefere mais aquele gol. Botafogo 6 a 1.
A partir deste instante, para os jogadores do Botafogo não há mais futebol. Muitos choram, já não conseguem correr e disputar as jogadas.. Na linha lateral dezenas de torcedores e dirigentes abraçam Garrincha sempre que ele passa diante do túnel. Talvez por isso, quase ninguém percebe quando Valdo, aos 39 minutos, marca o segundo gol do Fluminense, de cabeça, numa bola centrada sobre a área e que a defesa do Botafogo nem percebe.
No fim, o gol de Valdo acaba valendo para que a torcida do Botafogo, ao deixar o Maracanã, faça a rima quebrada na gozação da vitória:
“É seis a dois no pó de arroz!”

Com imagens espetaculares do CANAL 100, um resumo do que foi a decisão do campeonato carioca de 1957. Botafogo 6x2 Fluminense.


Que as Bênçãos de Deus sejam derramadas sobre todos nós.
Feliz 2012!
Até a próxima se Deus quiser.

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