sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BOTAFOGO 1948: FIM DE 13 ANOS DE JEJUM

BOTAFOGO 1948: FIM DE 13 ANOS DE JEJUM

Olá amigos! Mantendo a linha deste blog que é “o resgate da memória esportiva” publicaremos texto da Revista Placar ( Botafogo - As maiores torcidas do Brasil ) onde, em abril de 1979, o jornalista e Botafoguense Sandro Moreyra relata que depois do tetracampeonato conseguido em 1935, o Botafogo parou de ganhar. Quando se iniciou o campeonato de 1948, as esperanças se renovaram. Abaixo, matéria de Sandro Moreyra.

“O meu time ideal é o do tempo do Garrincha, mas meu time inesquecível é o de 1948: Oswaldo Baliza, Gérson e Nilton Santos. Rubinho, Ávila e Juvenal. Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha.
Quem poderia esquecer esse time de 1948?
Quem poderia esquecer a fé de Carlito Rocha, a mística do cachorrinho Biriba ou as superstições do roupeiro Aloísio?
Hoje, 30 anos passados (matéria de abril de 1979), o Botafogo de 1948 mais do que nunca precisa ser lembrado. Pois aquele time quebrou um jejum de 13 anos, pois não éramos campeões desde o fim da cisão do futebol carioca em 1937. O clima era de quase desespero, principalmente porque o Botafogo parecia estar destinado a ser um eterno vice campeão, como foi em 44, 45, 46 e 47.
O ano de 48 começou com várias novidades, para mim e para o Botafogo. Eu, que era jornalista político, passei a cronista esportivo da Folha Carioca e da Tribuna Popular, com a missão de cobrir o dia-a-dia do meu próprio clube. Ali, noticiei logo de saída a contratação de Zezé Moreira – por cinco contos de ordenado, a chegada de Pirilo, que recebeu luvas de 35 contos e, finalmente, muito triste, a venda do passe de Heleno de Freitas ao Boca Juniors, por 600 contos. Heleno, além de meu amigo, era um craque. Em SUS últimos anos de Botafogo sempre fora o artilheiro e a estrela máxima do time. Confesso que fiquei meio pessimista quando vi que o Carlito havia fechado o negócio com o Boca e achei que o título não viria nunca.
O início do campeonato carioca de 48 foi um desastre completo. O Botafogo perdeu de 4 a 0 para o São Cristóvão, em General Severiano. A torcida, furiosa, xingava os jogadores e exigia de Carlito Rocha a volta de Heleno, que ainda não embarcara para Buenos Aires e assistira ao jogo junto comigo, nas sociais. Carlito, porém, sempre confiante, disse apenas uma frase: “Eles não sabem que estão vaiando o campeão do ano”. E Carlito tinha razão, porque depois daquela derrota o Botafogo não perdeu. Zezé Moreira fez apenas duas modificações e a equipe acertou. Rubinho entrou na lateral direita, substituindo Marinho Rodrigues, e Nilton Santos tomou o lugar de Sarno, na lateral esquerda.
No terceiro jogo do campeonato, apareceu o cachorrinho Biriba. O Botafogo enfrentava o Madureira em General Severiano e eu não sei bem o que deu na cabeça do Macaé(um ex-zagueiro do clube), que na época trabalhava com auxiliar do departamento de futebol, pois durante a preliminar de reserva, em que o Botafogo venceu de 10 a 2, o Macaé resolver soltar em campo aquele cachorrinho preto e branco que ele levara para o clube. Daí em diante, o Biriba surgiu em todos os jogos do Botafogo, enlouquecendo os adversários e os elegantes juízes ingleses que estreavam no campeonato carioca.
No primeiro clássico contra o Fluminense, nas Laranjeiras, o Botafogo mostrou que seria campeão. O Fluminense ainda tinha um bleo time: Castilho, Pé de Valsa e Hélvio. Índio, Mirim e Bigode. 109, Simões, Careca, Orlando e Rodrigues. Quem ia apitar era um certo Mr. Ford, que ganhara o apelido de “Rei do Pênalti”.
De qualquer maneira, aquela foi uma partida sensacional. O tal de Mr. Ford justificou plenamente o apelido, marcando nada menos do que quatro pênaltis, três deles contra nós. Com pouco mais de meia hora de jogo, o Botafogo já vencia por 3 a 0, glos de Pirilo, Braguinha e Otávio. Oswaldo baliza defendeu 2 pênaltis e o Botafogo venceu por 5 a 2.
E o Botafogo continuou vencendo e virou o turno na liderança ao derrotar o Vasco, em São Januário, por 2 a 1, gols de Otávio para nós e Chico para eles. O Vasco, em 48, era uma potência. A maioria dos seus jogadores era da Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Wilson. Eli, Danilo e Alfredo. Djalma, Maneca, França, Tuta e Chico. Mesmo assim o Vasco não pode deter o Botafogo.
Se a acampanha do turno fora excelente ( o Botafogo além da derrota para o São Cristóvão, perdeu só mais um ponto diante do Bangu) a do returno foi ainda mais brilhante, com apenas um ponto perdido para o Fluminense. E nós chegaríamos ao final do campeonato utilizando apenas 15 jogadores com 17 vitórias em 20 jogos.

A arrancada final para o título foi incrível. O jogo contra o Olaria, na Rua Bariri, foi um drama. Faltavam 19 minutos para terminar a partida e o Botafogo perdia por 3 a 1. Mas numa prova de coragem, dedicação, os jogadores reagiram e ghegarama um 4 a 3 quase milagroso.
No domingo seguinte, contra o Flamengo, em General Severiano, nova virada. Kanela armara um esquema especial para derrotar o Botafogo e colocara em campo o que de melhor havia na Gávea: Luís Borracha, Nilton e Norival. Biguá, Bria e Jaime de Almeida. Luisinho, Zizinho, Gringo, Jair da Rosa Pinto e Durval. O resultado do esquema de Kanela e que aos 24 minutos do segundo tempo o Flamengo vencia pelo placar de 3 a 1. Mas o Botafogo virou em 21 minutos ( olha o 21 aí ) e no fim venceu por 5 a 3.
Até que chegou a decisão contra o Vasco. A véspera tinha sido de muita tensão. Corria o Boato de que torcedores do Vascaínos iriam envenenar a comida do cachorro Biriba. Carlito ficou agitado, tomou mil precauções: uma delas foi trancar o cachorrinho numa das torres do velho casarão colonial da sede, na Avenida Venceslau Braz, com o dedicado Macaé à porta. Macaé seguindo as ordens de Carlito, era obrigado a provar a comida do Biriba, que o garçom do clube trazia. Macaé passou a semana provando comida de cachorro, que, se estivesse envenenada, mataria a ele, e não ao Biriba.

No dia 12 de dezembro de 1948, o Botafogo venceu o Vasco por 3 a 1. Time igual aquele, com aquela coragem, aquela raça e aquele empenho, o Botafogo jamais teve igual.”
Texto: Revista Placar – abril de 1979.

Abaixo, fotos dos gols da partida.



Portanto já se passaram 63 anos daquela conquista. E, realmente, a coisa só está piorando.

Como está é a última publicação antes do Natal, eu, Nei Medina, desejo a todos que, neste data que comemoramos o Nascimento de Jesus Cristo, que este dia possa trazer muitas Bênçãos para todos nós. Um Feliz Natal e Boas Festas.

Até a próxima se Deus quiser!

Um comentário:

  1. Uma delícia caro medina,reviver essa conquista.Foi um titulo memorável.Eu me lembro q as 11hs.o estádio de gal.severiano já estava lotado.Concordo com o saudoso sandro moreyra.Esse time campeão de 1948 é,para mim,inesquecível.O melhor time do glorioso talvez tenha sido o de 1962 quando fomos bicampeões.

    ResponderExcluir