terça-feira, 31 de maio de 2011

" Os sons da Matriz "

Talvez, meu maior objetivo na internet seja, principalmente, a divulgação de minha querida Cidade Garbosa. Seja aqui no blog, orkut, facebook ou No Giro da Bola, modesta coluna de esportes que escrevo no site sjonline, procuro destacar os talentos de nossa Terra e deixar evidente meu Amor por esta cidade.

Costumo dizer que sou um cara de sorte, pois, sou filho do saudoso Gabriel Nascimento e de Dona Wanda Medina e por ter nascido em São João Nepomuceno. Além de ser casado com Angélica e pai do Túlio.

É com este sentimento que atualizo este blog. Na verdade, vou reproduzir um texto que foi publicado no Jornal A Voz de São João.
Tenho plena convicção que toda pessoa que o leu ficou emocionada, como eu fiquei.

Abaixo, uma inspiração de Cynthia Cruz que traduziu a "voz do seu coração" ao render homenagem a nossa Igreja Matriz. Uma conterrãnea, como a maioria de nós, apaixonada por nossa Terra.

Os sons da Matriz

Ainda com os olhos fechados, escuto 7 batidas e várias badaladas. O som familiar não deixa dúvidas: são o relógio e o sino da Matriz, acordei em São João Nepomuceno! Na mesma hora, uma mistura de cheirinho de infância, de aconchego e tranquilidade faz com que abra um sorriso que mais parece um sinal de cumplicidade com o tempo que não volta mais, porém, certa de que as lembranças fazem com que eu ainda tenha um pedacinho da terra.

Ainda na cama, o filme vai passando na minha memória do tempo em que era feliz e... sabia! E os sons da Matriz fazem parte de cada momento. Às 6h30, era hora de acordar para a aula no Judite de Mendonça e mais tarde no “Sôbi”. Batia 11 horas ! Saía correndo para casa porque o almoço já estava pronto. Mas antes do meio-dia, uma passadinha na vô Graciema para roubar um pedacinho do pudim de pão. Chego em casa e um pouco de descanso porque uma da tarde era hora de estudar.

E os “avisos” do meu companheiro do dia a dia não paravam. Tinha aula de piano, às 3 da tarde, com a Maria Alice e depois com a dona Leonor. À noite, hora das novelas, dos programas, das brincadeiras no adro da igreja e no jardim. Como me lembro das “escapadas” para a Tia Marisa onde brincávamos naqueles enormes corredores e gigantescos quartos do casarão! Mas, quando o relógio batia, já gritavam meu nome porque era hora de ir embora.

No final de semana, eles não descansavam: as badaladas do sino avisavam da missa; as batidas do relógio da hora de ir para o Campestre, do jogo do meu Mengão, de arrumar o material escolar e começar tudo de novo!
Na adolescência, não tinha escapatória: era o aviso que a diversão no “Kako” tinha acabado. Hora de ir embora, porque certamente a “dona Renée” estava esperando. E ai de não chegar conforme o combinado!!

Levanto da cama para aproveitar meu feriado. O sino avisa e chama para as celebrações da Semana Santa. Durante os 4 dias revendo amigos e parentes, relembrando boas histórias, rindo – ou na varanda de casa ou no Bistrot da Carolina – a mistura de sons da Matriz está lá, como marcando compasso e fazendo a contagem regressiva para a minha despedida, mas também convidando para um breve retorno.
Olho pela janela de casa vejo meus sobrinhos, meu filho e um grupo de crianças - filhas de amigas e amigos de infância - correndo pelo jardim. Agradeço a Deus por conseguirem aproveitar também esses momentos tão especiais.

Volto revigorada e pronta para retornar à realidade, mas aguardando uma nova oportunidade de acordar em Nepopó ! Termino este texto e olho pra cima. O relógio digital - impessoal e silencioso - da parede do meu quarto marca 7 da noite. Mas, quem viveu esses anos maravilhosos é capaz de sentir, bem no fundo do peito, as badaladas do sino e as batidas do relógio da Matriz.
Cynthia Cruz

2 comentários:

  1. Obrigada pelo carinho, Nei. São João sempre será minha querida cidade onde passei ótimos momentos e onde meu filho, agora, vive também. Que nós sanjoanenses que realmente sentimos amor e carinho pela nossa terra trabalhemos juntos - de todas as formas - para que a nossa cidade continue garbosa e maravilhosa. Abraços a todos

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  2. Nilson Magno Baptista1 de junho de 2011 12:01

    Amigo Nei,viví os melhores anos da minha vida no Largo da Matriz e conheci a Cynthia Cruz pequenininha.Na casa de sua família viveu anteriormente a família Delage - Dona Celina e seus filhos - e na casa onde vivi meus anos mais felizes,mais abaixo,vivem hoje Afonso Celso e Madalena Delage,sobrinha de Dª Celina e minha ex-professora no Colégio Dr.Augusto Glória.Também sinto grande saudade dos sons da igreja Matriz.Um forte abraço para você e para Cymthia,flamenguista como eu!

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